5. O melhor amigo

Domício Pereira de Mattos

"Vós sois meus amigos. Já não vos considero servos porque o servo
não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho vos chamado amigos!"
João 15: 14 e 15
(Na comemoração do Dia Mundial do Amigo)

Falar sobre amigo e amizade não é tarefa muito fácil, visto que existe muita contradição nesse comportamento humano e sua análise. A literatura está carregada de exemplos admiráveis de amigos que se deram um ao outro e se sacrificaram na fidelidade ao companheiro. Mas fala também de traições como a de Bruto (Marco Júnio), protegido de Júlio César, tratado como filho e amigo do imperador. Entrou numa conjuração ao lado  de Cássio contra César. Ao ver o amigo com o punhal erguido cobriu a cabeça com o manto e exclamou: “Tu quoque fili mi”- E tu também meu filho?!... Que bonita a história de Davi e Jônatas. Fizeram se amigos e se portaram como tal, arriscando-se na própria existência um e outro e na morte de seu amigo Davi pranteou, lamentou e expressou o seu mais profundo amor pelo filho de Saul... Que contra-senso a história dos dois irmãos gêmeos, Jacó e Esaú, em lugar de amizade fizeram-se inimigos. O pior é quando alguém se faz amigo para tirar proveito e vantagem dessa amizade. Daí a expressão popular “amigo urso” ou a jocosa expressão do que foi explorado; “mui amigo!?”. É pois grande felicidade o ter amigo no qual se pode confiar. O amigo que se torna como irmão, na linguagem de Provérbios 17:17,

“O amigo ama sempre e na angústia se torna um irmão”.

  Criou-se  talvez  por isso o Dia Universal do Amigo, para que todos os que têm amigos desse porte se alegrem saúdem-no e comemorem a data. Mas aos que já tiveram decepções com “amigos” que não foram fiéis, queremos falar de um amigo que  nunca falhou e ele mesmo se faz nosso amigo conforme o texto que escolhi para esta homilia: "Vós sois meus amigos; já não vos chamo servos porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho vos chamado amigos, porque tudo que ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer." Jesus Cristo, o amigo por excelência. Que amigo é esse?

Primeiro, é Amigo Bondoso

Revelou-nos o seu amor, o amor do Pai Eterno que de tal ,maneira amou o mundo que deu seu Filho, para que todo que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna... Um Deus bondoso só nos poderia oferecer amizade bondosa. Essa bondade de Jesus nos atinge de tal maneira que não permite vivermos com medo, com coração dorido, oferecendo-nos continuamente paz, consolação. Ele não podia encontrar-se com sofrimento humano sem dar-lhe a cura: ao cego dizia: Vê! Ao leproso: Fica limpo! Ao paralítico: levanta e anda! À multidão faminta dava o pão, multiplicando-o! E se o desespero era por causa da morte dizia: “Eu sou a Ressurreição e a vida o que crê em mim ainda que esteja morto viverá e todo o que vive e crê em mim não morrerá nunca!” Sim! Que bondoso amigo é Cristo! Que bom haver dito: "Vós sois meus amigos!"

Segundo, Amigo sempre presente.

Para nós, seus discípulos, deixou-nos a promessa sempre confortadora: "Estarei sempre convosco!" Por não poder estar corpórea e eternamente presente, deu-nos a promessa gloriosa: “Não vos deixarei órfãos, dar-vos-ei o meu Espírito para que esteja sempre convosco!” No mundo tereis muitas aflições, mas tende bom ânimo, pois eu venci o mundo!  Nós podemos deixa-lo, mas Ele não nos deixará nunca. Será sempre o Bom Pastor que cuida das ovelhas. Se alguma afastar-se dele, sair do aprisco, deixará as 99 e ira buscar a que fugiu e dele se desviou...  É dessa amizade que precisamos. Do amigo que mesmo que perceba em nós a falha, não nos abandona,  pelo contrário virá depressa  ao nosso encontro para nos corrigir, nos perdoar e mostrar-nos o caminho certo pelo qual devamos seguir.

Terceiro, Amigo Dadivoso.

Ser dadivoso é ter capacidade de dar-se a si mesmo e até oferecer-se em sacrifício para salvar o amigo. Foi o que Jesus fez. Assumiu os nossos pecados e morreu na cruz por nós. Ele não é apenas o bondoso amigo que ajuda, socorre, ama, tira da aflição. Não é apenas o amigo de todas as horas, sempre presente. Ele é o nosso Salvador! E é assim que cantamos:

“Para nos salvar da morte
Sobre a cruz ele expirou
Derramou precioso sangue
Para as manchas nos lavar
Paz e vida no futuro
Já podemos alcançar!

Amigo que quer ser aceito, mais do que isto, quer ser sempre lembrado. Por isso naquela noite em que foi entregue celebrou com os discípulos a Páscoa e transformou-a na maior de todas as celebrações cristã, Páscoa também, mas agora lembrança contínua e constante do seu sacrifício, com o pão representando o seu corpo e o vinho representando o seu sangue e os amigos que o aceitaram, reunidos em todo o mundo, irmanados na mesma fé, lembram-se dele e celebram o sacramento que ele instituiu dizendo: Fazei isto em memória de mim!

Domício Pereira de Mattos