Os Anseios da Alma
Texto: João 7:37 “No grande dia da festa dos Tabernáculos
levantou-se Jesus e disse: Se alguém tem sede venha a mim e beba!”
Os Evangelhos registram encontros de Jesus com multidões e o seu sentimento amorável, compadecendo-se delas, porque as via como ovelhas sem pastor, oprimidas por ansiedades não satisfeitas, buscando, aflitas, lenitivo para suas aspirações. O texto em destaque registra um desses momentos: era a festa judaica dos Tabernáculos, em Jerusalém. A multidão ocupando os espaços do Templo e muitos juntos à porta, O ritual podia até ser pomposo, solene, magnificente, mas não respondia as aspirações daquelas ovelhas, as quais, aos olhos de Jesus, eram como se não tivessem pastor... De repente levantou-se o Mestre e disse em alta voz: “Se alguém tem sede venha a mim e beba!” É evidente que Jesus não se referia à sede física, de água potável, pois esta não faltava na cidade. Desde os tempos de Ezequias Jerusalém estava razoavelmente abastecida dessa água. Jesus referia-se à mesma água da qual falara, junto ao poço de Jacó, à mulher samaritana: “quem beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede...” Jesus corajosamente, em plena celebração judaica, em que o povo buscava respostas para suas ansiedades, se propunha a satisfazê-lo de maneira completa e cabal: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba!”. Dissemos corajosamente porque essa expressão não ficaria bem nos lábios de qualquer criatura humana: sejam guias religiosos, sábios e doutores, filósofos, ou cientistas. Imaginem que se levantassem Sócrates (filósofo), Darwin (cientista), Shakespeare (escritor), Napoleão Bonaparte (político e guerreiro) ou Lutero (guia religioso) e dissessem “Venham a mim e bebam” – que ridícula não se tornaria a expressão!?... Ela só fica bem e magnificamente posta nos lábios de Jesus Cristo: “Se alguém tem sede venha a mim e beba!” Jesus estava se referindo às aspirações humanas aos anseios da alma, de tudo aquilo que nos falta, embora estejamos ansiosamente buscando... Quais são os maiores anseios do coração humano, os seus mais ardentes desejos?
Primeiro: o de felicidade. Não há quem não aspire a felicidade! Diríamos mesmo ser esta a mais constante aspiração humana: Ser feliz! Quem o é?...Dois escritores e poetas brasileiros navegaram nesse tema, ambos procurando dizer que a felicidade não existe: o primeiro, Machado de Assis, tem um soneto no qual diz sermos como o vagalume, o qual vendo a luz de uma estrela disse: “Ah! Se eu pudesse ser estrela?!” e transformou-se na estrela. Aí extasiou-se diante da luz fascinante do sol e pediu aos deuses que se tornasse o sol. Transformou-se... E como sol, cansou-se do seu fulgor e entendiado do seu brilho, viu a luz tênue do vagalume e aspirou ser como o vaagalume. Atendido nessa aspiração, tornou-se, descansando na luz tosca do pequenino inseto... O segundo poeta é Vicente de Carvalho que, inspirado compôs o célebre soneto, VELHO TEMA:
Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada;
Nem é mais a existência, resumida
Que uma esperança malograda
O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.
Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos
Existe sim, mas não a alcançamos
Porque está sempre onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos...
É assim mesmo: o imperador romano Julio César conquistou todos os povos conhecidos no seu tempo e, diz a história, chorou em frente sua cabana de guerra porque não havia mais terras para conquistar. Jamais a felicidade estaria onde ele estivesse. Afinal, existe ou não a felicidade? Seria bom perguntar primeiro o que é felicidade? É paz, alegria de viver, segurança no futuro, certeza da vida eterna, ardume de coração, como disseram os dois discípulos de Emaús. Quem pode oferecer sonhos tão radiosos? Não tenho dúvida em afirmar: Só Jesus! E Ele o faz e demonstra em palavras límpidas e gostosas: “A minha paz vos dou, não a dou como o mundo dá...não se turbe os vossos corações!” Vocês crêem em Deus, creiam também em mim, pois o que crê em mim, do seu interior fluirão rios de águas vivas, isto é, não terão mais sede e se tornarão fonte de felicidade para outros. Felicidade é possível sim, com Jesus Cristo dominando nossa vida.
Segundo Anseio, entre os grandes de nossa vida: O Anseio de Verdade. Ninguém gosta de viver enganado; nós preferimos a verdade amarga à mentira adocicada...E quanto a nossa vida religiosa, perguntamos: onde está a verdade? Qual é a religião verdadeira? Pululam por aí religiões, credos, filosofias, todos afirmando ser a verdade. Mesmo sem sair do cristianismo perguntamos onde está a verdade ou qual é a corrente verdadeira: o catolicismo, o ortodoxismo, o protestantismo? Dentro deste quem está com a verdade?
Os presbiterianos, os luteranos, os batistas, os metodistas, os pentecostais,os conservadores. os progressistas? Como saber onde está a verdade religiosa? A nossa resposta: A Verdade não está em nenhuma religião. A Verdade está em Jesus: Ele mesmo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim!” João 14:6. Não existe prática religiosa que leve à salvação senão aquela indicada por Paulo e Silas ao angustiado carcereiro de Felipos: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu a tua casa” (Atos 16:31). Jesus lamenta as divisões em seu corpo, que é a Igreja –uma só Igreja- e suplica na Oração Sacerdotal pela unidade espiritual de sua Igreja: ”Ó Pai, que eles sejam um como tu és em mim e eu em ti, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:21). Não existe uma religião verdadeira, existe sim uma só Verdade: Cristo Jesus! Nossos Senhor, Redentor, e Salvador! O problema religioso não se define por adotar um credo, aderir a uma seita, ou rezar num catecismo e sim em aceitar uma pessoa, a Pessoa de Jesus Cristo. Nele encontraremos plena satisfação ao anseio de nossa alma que é possuir a verdade. Esta aspiração será satisfeita experimentando a Água da Vida: “quem tem sede venha a mim e beba!”
Terceiro: Supremo Anseio de nosso coração é VIDA. Morte para nós é anomalia. Não nos acostumamos e nem nos conformamos com ela. Diante do túmulo de uma pessoa querida nossa alma, ainda que silenciosamente, protesta. Na mais precária situação de saúde, se auscultarmos os anseios do moribundo, podemos perceber sua ansiedade por viver. Quem pode satisfazer essa sede intensa de vida? Só Jesus! Ele diz: “Eu sou a Ressurreição e a Vida, quem crê em mim ainda que esteja morto viverá e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá!” (João 11:25). E quando sentimos que a vida já foi longa, passamos dos limites bíblicos de 70, e dos 80 anos para os mais robustos, vamos chegando aos 90 e a morte física se aproxima com a visível certeza, então entendemos as magistrais palavras de Jesus: “quem crê em mim nunca morrerá!” Consta que o teólogo suíço, Karl Barth, visitado por um grupo de amigos que ouviram notícia falsa de sua morte, disse-lhes orientando-os espiritualmente: “Quando vocês lerem no jornal, Karl Barth morreu, saibam que, nesse dia, estarei mais vivo do que nunca!” Eis aí um coração, como muitos, inclusive o meu, plenamente satisfeito nos anseios pela vida, porque experimentou a água que Jesus lhe ofereceu: Se alguém tem sede, venha a mim e beba! Se você, meu irmão, ainda se estremece com medo da morte, corra depressa para os braços de Jesus e beba da Água da Vida!
Finalmente, podemos nos referir ainda a um outro anseio da alma humana: o anseio de Deus. Bem poderia estar incluído no anseio de verdade, visto que a Verdade absoluta é Deus. É tão evidente esta aspiração que ela está posta até na palavra ATEU (aquele que não crê em Deus). Essa palavra procede do paradigma “A”, que no grego significa negação à palavra THEOS, cuja tradução é “Deus”, significando “não deus”, isso é presumir a existência de Deus para depois negà-la... Para mim não existe ateu, o que existe são pessoas que não aceitam ou deixaram de aceitar o conceito de Deus que lhe deram ou lhe puseram na mente... E existem conceitos de Deus tão absurdos que levam pessoas inteligentes a dizerem “Se Deus é isso, eu não creio nele – sou ateu!” O anseio de Deus, entretanto, não deixa de ser realidade, como está no Salmo 41:1 e 2: “Como suspira a corsa pelas correntes das águas assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo.” Jesus satisfaz essa sede de Deus. Nele podemos sentir a realidade do Deus eterno, Criador nosso e do universo. Quando um discípulo, nessa ansiedade de conhecer a Deus lhe disse: “Mostra-nos o Pai e isso nos basta. Disse Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco e não me tendes conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai: como dizes tu: mostra-nos o Pai?” (João 4:8 e 9)
Por que, meus irmãos e amigos, continuar com sede? Anseio de felicidade, busca da verdade, aspiração pela vida e suspiros por Deus? Jesus está nos oferecendo a Água da Vida, que é Ele mesmo, a fim de suprir a nossa sede: “Se alguém tem sede venha a mim e beba!” Venham, pois, à Fonte da Água da vida!
Texto “Oxalá minhas palavras fossem escritas e fossem gravadas na rocha: Eu sei que o meu Remidor vive! Jó 19:23 a 25.
Sermão pregado em culto de ação de graças pelo restabelecimento de grave enfermidade da irmã Jéssica da Gama Rocha.
Remidor, aquele que redime. acode, socorre, ajuda, liberta, salva. Não importa o tipo de sofrimento, dor, angústia, desespero e mesmo o fim – a morte. Ele vive e me dá a certeza de que eu viverei nele ou com ele, para sempre! Isto é o que importa. Isto é o que nos leva a celebrar Ação de Graças e louvor...
Jamais alguém sofreu tanto e experimentou de tal maneira a dor como Jó, com exceção de Jesus Cristo no caminho do Calvário e na cruz: dor física, moral, espiritual e aquela impressão da ausência de Deus, aquele tormento dos que zombam de sua fé, a ponto de pessoa, mais íntima, lhe dizer: “Renega, amaldiçoa, o teu Deus e morre de uma vez!”
O importante da mensagem poética do livro de Jó é sabermos que dor, sofrimento, doença não é sempre resultado de pecado, Estamos imbuídos desta idéia que, sem saber porque sofremos, perguntamos:”Onde foi que eu errei...” ou “O que é que eu fiz para sofrer tanto?...” O justo também sofre. Isaias 53 deixa evidente esta colocação, de difícil explicação teológica: “Por que o justo sofre, às vezes, ao lado do ímpio que goza os prazeres da vida?...” Doença, dor, sofrimento não têm sua causa nas relações do homem com Deus. São contigências normais da vida: uns ficam doentes porque se alimentam mal ou passam fome; outros porque se alimentam desordenadamente, comem demais ou comem o que não deveriam ter comido. Outros se atrofiam por não exercitarem o corpo, não trabalham; alguns por que se excedem no trabalho, arruínam a saúde. Uns se envenenam com pensamentos maldosos e a mente doentia leva para o corpo as conseqüências dos desiquilíbrios mentais... É claro que seja qual for a conseqüência do sofrimento, podemos repetir a declaração de Jó: “Eu sei que meu remidor vive e que me levantará do pó e na minha carne verei a Deus!”
1. Primeiro, damos graças a Deus por essa fé, cultivada em nossos corações.
A mensagem religiosa específica do livro de Jó é exatamente esta: o ser humano deve persistir na fé, mesmo quando seu espírito não encontra sossego. Manter a fé viva enquanto tudo é favorável é muito fácil, mas muitas vezes Deus põe à prova a nossa fé.... É aí onde está a razão de muitas de nossas tribulações. O autor do livro de Jó não podia ir mais longe, faltava-lhe a luz de Jesus Cristo e as experiências apostólicas perto dele. Para aclarar o mistério da dor inocente era preciso que tivesse a certeza das sanções do além túmulo e da vida eterna. À pergunta angustiante de Jó, responde o apóstolo São Paulo em Romanos 8:18: Os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que há de revelar-se em nós” . Esta é a fé que acalenta nossos corações: aconteça o que acontecer, Deus está comigo, segura as minhas mãos e me levará a salvo aqui e agora ou no repouso eterno, ainda estarei com Ele, pois, na linguagem de Jó, “em minha carne verei o meu Deus”! Temos que agradecer esta fé que Ele mesmo coloca em nossos corações, que afasta de nós todo o medo, conforme o salmo 27:1: "O Senhor é a minha luz e a minha salvação, do que terei medo? O Senhor é a fortaleza de minha vida, a quem temerei?...”
2. Segundo, damos graças a Deus pela solidariedade dos irmãos. Na dor, no sofrimento, afigura-se-nos que estamos sozinhos, abandonados, quando, na verdade, centenas de irmãos e amigos estão de mãos postas, suplicando a Deus a nossos favor. A solidariedade com o sofrimento do irmão é marca característica da comunidade cristã e, por isso, damos graças a Deus...Em 7 de setembro estávamos aqui neste templo de Ramos, comemorando o aniversário desta Igreja, no mesmo instante em que adorávamos a Deus, neste lugar, a presbítera Jéssica, em um hospital, esperava ser conduzida à cirurgia. Provavelmente sentido a ausência dos filhos e dos irmãos...O próprio médico estranhou e lhe perguntou onde estavam os filhos... Estão no culto de aniversário de minha igreja e participam do coral, que fará audição especial...Eles ausentes, como eu, o desfalque seria significativo... Pedi e insisti com eles (três vozes) que estivessem na Igreja e participassem do coro. Todos aqui, numa festa de aniversário, mas orando e com o pensamento na irmã que passava pelos momentos mais críticos e sombrios de sua saúde... Recíproca solidariedade: da igreja e dela, no hospital, preocupada com sua comunidade, o coro e o culto que se realizava... Meus irmãos: cultivem sempre esse espírito de solidariedade e amor fraternal. Digam como o salmista: “Que bom e amável é viverem unidos os irmãos”... Este o segundo motivo para ação de graças deste culto que celebramos ao nosso Remidor que vivo está! Glória,pois, ao seu excelso nome!
3. Da-mos graças porque, no caso concreto da doença e cirurgia de Jéssica, as mãos de Deus agiram poderosamente e, em pouco tempo, pôde ela fazer celebrar este culto de ação de graças, no espírito do Salmo 103 vs. 2: ”Bendize,ó minha alma, ao Senhor e não te esqueças de nenhum só de seus benefícios!” Estou absolutamente certo de que é com toda a sinceridade que Jéssica e Igreja oferecem este culto a Deus, como certo estou também de que a mensagem que desejam transmitir a todos os convidados é a mensagem do texto do livro de Jó: “Oxalá minhas palavras fossem escritas e gravadas com inscrição, na rocha: eu sei que meu Remidor vive e que me levantará do pó e na minha carne verei o meu Deus!” Problemas, aflições, dores e incertezas todos nós experimentamos, mas o nosso Deus não se esquece de nenhum de nós... Ele nos ama de tal maneira que nos deu o seu Filho unigênito para morrer por nós e, ressuscitado da morte, nos transmite a VIDA, para que possamos afirmar: Eu sei que meu Remidor vive! Amem
Lucas 24:32: Leitura dos versos 13 a 35 - Sermão pregado num dos Domingos da Páscoa.
Dois discípulos de Jesus fugiam de Jerusalém logo depois da crucificação do Mestre e estavam de volta à sua aldeia de Emaús. Tristes, abatidos e desanimados conversavam pelo caminho sobre os acontecimentos que levaram à morte o Senhor deles, Jesus de Nazaré.
Alcançou-os na estrada estranho caminhante. Aproximou-se deles e perguntou sobre o que estavam falando e introduziu-se na conversação. Abriram chorosamente o coração deseperançados com o que havia acontecido, pois esperavam que ele fosse o que deveria redimir a Israel e restabelecer o seu reino. Tinham um pequeno vislumbre, pois ouviram falar que algumas mulheres foram ao túmulo e o encontraram vazio, mas já tinham se passado três dias e não souberam de mais nada. Surpreenderam-se com os conhecimentos das Escrituras do improvisado companheiro de jornada, sentiram-se bem na sua companhia a ponto de na encruzilhada, parecendo-lhes que o novo amigo estava indo para mais longe insistiram com ele: “fica conosco!”. O caminhante ficou, entrou na casa e sentou-se com eles para a refeição. Quando, ao partir o pão e abençoa-lo, lhes deu – oh! maravilha!- Abriram se-lhes os olhos e reconheceram que o caminhante era o próprio Jesus, o Mestre querido, o qual de imediato desapareceu. Disseram um ao outro: “Porventura não nos ardia o coração, quando no caminho falava conosco”?...
1°. Arder o Coração. Alegria, prazer, segurança íntima, problemas resolvidos, em última análise: felicidade. O que é isso, felicidade? Em que está a nossa felicidade? Diz o poeta Vicente de Carvalho “que está sempre onde nós a pomos e nunca a pomos onde nós estamos”. Vai nisto um pouco de descrença, quase que dizendo que felicidade não existe...
Provavelmente os discípulos de Emaús não saberiam definir o que é felicidade, mas a sentiram e de tal maneira que disseram; “ardia os nossos corações!...” Que maravilha: a presença de Jesus ressuscitado incendeia a nossa vida, acalenta os nossos corações, tira-nos das trevas e neche-nos com a sua luz. Estavam tristes, diz o texto, e se encheram de alegria. É assim mesmo: quando Jesus caminha conosco, não há mais tristeza, não há mais desilusões, não há mais desespero, não há mais dor, não há mais gemido e nem haverá mais morte. Pois Ele, o Cristo ressuscitado, que caminha conosco, afirma: ”Eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá e todo o que vive e crê em mim não morrerá nunca!
Sem Jesus, a caminhada é sombria, carregada de incertezas... Você se desespera, muitas vezes, sem saber que rumo tomar, mas Ele, Jesus, vem tirar-nos das incertezas, dizendo: ”Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida!” Agora, no caminho com Ele, jamais nos perderemos até chegarmos à vida eterna e felizes para sempre!
2°. A presença de Jesus não apenas lhes dera alegria e felicidade, mudou também, o rumo de suas vidas. Diz o texto “na mesma hora, levantando-se voltaram para Jerusalém. De lá haviam saído, tristes e amargurados, sem esperanças. A presença do Jesus ressuscitado fé-los mudar de rumo. Não mais Emaús, não mais a fuga de descrentes, não mais a inanição de quem não sabe o que fazer com a vida... Chama-se isso de conversão (metanoia) – volta para Deus, mudança completa de vida. Santo Agostinho, saído de uma vida de pecado, dizia: “Eu não sou mais eu...” Jacó, transformado por Deus, passou a ser Israel. Saulo de Tarso, depois do caminho de Damasco, é Paulo, Tomé, depois de contemplar as mãos feridas de Jesus, não é mais incrédulo, mas crente, clamando: “Senhor meu e Deus meu!” Os discípulos de Emaús sentiram esta transformação formidável, repentina e, diz o texto, ”levantando-se voltaram para Jerusalém. Ali, a Igreja que nascia, ali, o fervor epiritual dos que estavam em comunhão com o Cristo que ressuscitara; ali, a obra maravilhosa do Reino de Deus e o testemunho da fé. Triste a experiência dos que saem desiludidos de Jerusalém... quem sabe, da igreja, desiludidos com a comunidade, aborrecidos com o pastor, descrentes do Evangelho...vão ficar tristes pelo caminho, até que Jesus os encontre para traze-los de volta, onde vão achar reunidos os irmãos e a comunidade de fé.
3.° Finalmente, não há como deixar de sublinhar, no texto, o encanto dos que sentem arder o coração e suplicam ao Cristo que os animou: “Fica conosco, porque é tarde e o dia já declina”! Decrepitude do dia, decrepitude da vida, nostalgia do entardecer, saudade de um pôr-do-sol e uma noite que se aproxima... Às vezes, na solidão, sem mão amiga que os ampare... Se individualmente, direi: FICA COMIGO! Se coletivamente, FICA CONOSCO!
Individual ou coletivamente, como Igreja, não podemos ficar sem a presença amorosa, acalentadora de Jesus. Não há oração mais sublime do que esta ao Cristo da nossa fé, que nos salvou e quer o nosso bem e a nossa felicidade: FICA CONOSCO!
E qual o fundamento para uma vida nova, na fraternidade e no amor? É o fato de termos sido resgatados pelo sacrifício de Cristo na cruz, mas sobretudo porque Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória. Aqui está o fundamento seguro da fé e da esperança dos cristãos de todos os tempos. Deus fez de Jesus um vencedor e nos faz hoje também vencedores de todo o mal e toda a injustiça! Amém.
Domício Pereira de Mattos
Ezequiel 3:24: "A mão do Senhor veio sobre mim e ele me disse:
levanta-te e sai para o vale, onde falarei contigo. Levantei-me e
saí para o vale e eis que a glória do Senhor estava ali, caí com o
rosto em terra. Então, entrou em mim o Espírito e me pôs em pé!"
Estamos diante de uma força que põe o homem de pé. Existem, entretanto, inúmeras forças que põem a criatura humana por terra. Exemplos: Jovem busca a realização pessoal. Encontra o emprego com o qual sonhava e atira-se nele com toda a disposição. O serviço exige dele mais energias do que tinha para dar. Sente-se fraco. Procura o médico, que o examina e descobre terrível mancha em seu pulmão. Vê-se obrigado a deixar o emprego e internar-se em clínica especializada... Ruiu por terra o sonho: essa força o derrubou, colocou-o por terra em completa desilusão... Família aparentemente feliz, casal e duas filhas encantadoras, contentes, mas começando a exigir dos pais muito mais do que eles podiam dar. Uma delas busca satisfazer as exigências em um casamento que parecia o rumo de tudo o que estava exigindo dos pais, mas o próprio tipo de suas exigências leva a união matrimonial a desfazer-se e volta para casa mais desiludida do que quando saiu... A outra não se interessava por coisa alguma senão pelo prazer do corpo e se desvia do lar para uma vida libertina... O pobre casal e a família começam a sentir essa força que derruba e joga a criatura por terra... E assim homens e mulheres, jovens e até adolescentes se vêem diante de forças que os oprimem por causa do amor não correspondido, da promessa não cumprida, da empresa que faliu, do ente querido que morreu, da tempestade que destruiu sua casa e tantas outras situações que acabam com os sonhos, ideais e a alegria de viver. Vale a pena pensar numa força diferente, que põe o homem de pé, ainda que tenha de levantá-lo das ruínas...
É preciso entender o que aconteceu com o profeta Ezequiel para descobrir essa maravilhosa força que põe o homem de pé. No exílio babilônico, sonhava com a libertação do seu povo. Esperava, aflito, notícias de Jerusalém e dos que lá ainda permaneciam. Elas chegaram. Que notícias? As mais terríveis e trágicas. Estão descritas no capítulo 25 do 2° Livro de Reis verso 1 a 7. Nabucodonosor com seu exército tinha invadido Jerusalém. Fizeram cativo o restante de seu povo, destruíram a cidade e o templo, perseguiram o rei Zedequias. Os soldados caldeus prenderam o rei de Israel e levaram-no à presença de Nabucodonosor. Este mandou matar os filhos de Zedequias à sua vista e, como se aquela devesse ser sua última visão, vazaram-lhe os olhos... Ataram o rei com cadeia de bronze e o levaram para a Babilônia. Ruína, derrocada de uma nação, mortes, destruição, desespero! "A mão do Senhor veio sobre mim... cai com o rosto em terra, então entrou em mim o Espírito do Senhor e eu fiquei de pé!" Ficar de pé no meio da derrocada!... Ficar de pé numa situação como essa?! Alvo supremo para um coração cheio de fé! Estudemos, pois, essa força que coloca o homem de pé.
Primeiro: Essa força existe! Não é ficção! Não é simples pregação de um pastor ou palavras emotivas de um profeta! É experiência vivida por um homem de Deus. É uma força real que se demonstra por si mesma tantas vezes... Um médico não muito dado à religião, disse, em favor dessa força misteriosa que levanta o homem: "Quando atendo um cliente, mesmo em situação crítica, e o vejo com a Bíblia na mão, penso comigo, metade do meu sucesso de médico já esta garantido!..." Há muitos testemunhos da existência desse poder, dessa força, que penetra no homem e o levanta da derrota para a vitória. Para obtê-la basta o contato com Deus através do Senhor Jesus. Um dos seus apóstolos, no meio das maiores aperturas dizia; "Tudo posso naquele que me fortalece!" (Filipenses 4:3).
Segundo: Essa força age internamente, no íntimo do ser humano. Muitos procuram forças, energia, para suas quedas, sobressaltos, sustos e inquietações em elementos externos: um bom psicólogo, analista, quem sabe o lazer, uma diversão, uma viagem turística?... Experimentam. Às vezes ajudam: melhoram. Em outras, voltam piores, em completa frustração... Não adianta querer erguer-se da queda, buscando fora de si mesmo, o poder, a energia que o ponha de pé. O apóstolo Paulo chamou esse fogo interior que levanta o homem abatido de graça de Deus. Numa das situações mais críticas de sua vida a que chegou a chamar de "espinho na carne", orou a Deus, em aflição, e recebeu a resposta: "A minha graça te basta porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza" (2o. Coríntios 12:9) O profeta Ezequiel, no mais terrível abatimento a que um homem pode chegar explicou a interioridade dessa energia: "O Espírito entrou em mim e eu fiquei de pé!" Aqui mesmo, quem sabe, alguém que estava triste e desanimado começa a sentir-se bem, fortalecido na fé, por causa da mensagem que está ouvindo. Nada tem a ver com o pregador, é o Espírito de Deus que, pela sua graça, está penetrando o seu coração. Que Deus o abençoe e o ponha de pé agora e em todo o transcorrer de sua vida cristã.
Terceiro: Essa força pode ser cultivada. Força que se desenvolve e cresce. Você a cultiva na vida de devoção, na leitura da Bíblia, na oração, na comunhão eucarística e no seguimento de Jesus Cristo. Este é um importante processo da vida cristã a que chamamos de santificação, sempre melhorando no Senhor! Cultivamos esta força do espírito ou, por negligência, podemos perdê-la... E perdida, lá se vai a energia e o poder de que tanto carecemos para ficar de pé. Nas calamitosas perseguições nazistas aos judeus, na Alemanha, um jovem, condenado à morte, escreveu ao seu pai. Essa carta foi publicada pela revista “Fé e Vida”, de agosto de 1952, com o título: “Eu morro ao amanhecer”. Dizia exatamente isso e acrescentava. "Pai, vão tirar-me a vida, mas não conseguirão fazê-lo; matarão o meu corpo mas minha alma continuará viva e eu estarei nos braços de Javé!” O jovem judeu falava a mesma linguagem do profeta Ezequiel, seu patrício, no texto desta mensagem: “O Espírito entrou em mim e eu fiquei de pé!”
Vale a pena saber ficar de pé, nas situações críticas da existência! Bendita fortaleza interna! Depois do naufrágio do transatlântico Titanic, jornais e revistas tentaram reproduzir a cena de muitas formas, desenhos, legendas e pinturas. Numa destas reproduzia-se a tragédia, vendo-se o navio, em pedaços indo ao fundo e a legenda "a supremacia da natureza e a fragilidade do homem". Ao lado a mesma cena com destaque de botes “salva-vidas” repletos e náufragos tentando subir neles e, em cores mais vivas, um homem cedendo o seu lugar, único possível, a uma mulher agarrada ao seu filhinho... A legenda: "a supremacia do homem e a fragilidade da natureza!” É assim: o homem, com o Espírito de Deus nele, é uma força maior que as ondas do mar. Embora submergindo nas águas, estava dizendo: “Não me deixei vencer pela morte, mas venci a morte pelo amor que Jesus pôs no meu coração!”
Domício Pereira de Mattos
"Vós sois meus amigos. Já não vos considero servos porque o servo
não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho vos chamado amigos!"
João 15: 14 e 15
(Na comemoração do Dia Mundial do Amigo)
Falar sobre amigo e amizade não é tarefa muito fácil, visto que existe muita contradição nesse comportamento humano e sua análise. A literatura está carregada de exemplos admiráveis de amigos que se deram um ao outro e se sacrificaram na fidelidade ao companheiro. Mas fala também de traições como a de Bruto (Marco Júnio), protegido de Júlio César, tratado como filho e amigo do imperador. Entrou numa conjuração ao lado de Cássio contra César. Ao ver o amigo com o punhal erguido cobriu a cabeça com o manto e exclamou: “Tu quoque fili mi”- E tu também meu filho?!... Que bonita a história de Davi e Jônatas. Fizeram se amigos e se portaram como tal, arriscando-se na própria existência um e outro e na morte de seu amigo Davi pranteou, lamentou e expressou o seu mais profundo amor pelo filho de Saul... Que contra-senso a história dos dois irmãos gêmeos, Jacó e Esaú, em lugar de amizade fizeram-se inimigos. O pior é quando alguém se faz amigo para tirar proveito e vantagem dessa amizade. Daí a expressão popular “amigo urso” ou a jocosa expressão do que foi explorado; “mui amigo!?”. É pois grande felicidade o ter amigo no qual se pode confiar. O amigo que se torna como irmão, na linguagem de Provérbios 17:17,
“O amigo ama sempre e na angústia se torna um irmão”.
Criou-se talvez por isso o Dia Universal do Amigo, para que todos os que têm amigos desse porte se alegrem saúdem-no e comemorem a data. Mas aos que já tiveram decepções com “amigos” que não foram fiéis, queremos falar de um amigo que nunca falhou e ele mesmo se faz nosso amigo conforme o texto que escolhi para esta homilia: "Vós sois meus amigos; já não vos chamo servos porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho vos chamado amigos, porque tudo que ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer." Jesus Cristo, o amigo por excelência. Que amigo é esse?
Primeiro, é Amigo Bondoso
Revelou-nos o seu amor, o amor do Pai Eterno que de tal ,maneira amou o mundo que deu seu Filho, para que todo que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna... Um Deus bondoso só nos poderia oferecer amizade bondosa. Essa bondade de Jesus nos atinge de tal maneira que não permite vivermos com medo, com coração dorido, oferecendo-nos continuamente paz, consolação. Ele não podia encontrar-se com sofrimento humano sem dar-lhe a cura: ao cego dizia: Vê! Ao leproso: Fica limpo! Ao paralítico: levanta e anda! À multidão faminta dava o pão, multiplicando-o! E se o desespero era por causa da morte dizia: “Eu sou a Ressurreição e a vida o que crê em mim ainda que esteja morto viverá e todo o que vive e crê em mim não morrerá nunca!” Sim! Que bondoso amigo é Cristo! Que bom haver dito: "Vós sois meus amigos!"
Segundo, Amigo sempre presente.
Para nós, seus discípulos, deixou-nos a promessa sempre confortadora: "Estarei sempre convosco!" Por não poder estar corpórea e eternamente presente, deu-nos a promessa gloriosa: “Não vos deixarei órfãos, dar-vos-ei o meu Espírito para que esteja sempre convosco!” No mundo tereis muitas aflições, mas tende bom ânimo, pois eu venci o mundo! Nós podemos deixa-lo, mas Ele não nos deixará nunca. Será sempre o Bom Pastor que cuida das ovelhas. Se alguma afastar-se dele, sair do aprisco, deixará as 99 e ira buscar a que fugiu e dele se desviou... É dessa amizade que precisamos. Do amigo que mesmo que perceba em nós a falha, não nos abandona, pelo contrário virá depressa ao nosso encontro para nos corrigir, nos perdoar e mostrar-nos o caminho certo pelo qual devamos seguir.
Terceiro, Amigo Dadivoso.
Ser dadivoso é ter capacidade de dar-se a si mesmo e até oferecer-se em sacrifício para salvar o amigo. Foi o que Jesus fez. Assumiu os nossos pecados e morreu na cruz por nós. Ele não é apenas o bondoso amigo que ajuda, socorre, ama, tira da aflição. Não é apenas o amigo de todas as horas, sempre presente. Ele é o nosso Salvador! E é assim que cantamos:
“Para nos salvar da morte
Sobre a cruz ele expirou
Derramou precioso sangue
Para as manchas nos lavar
Paz e vida no futuro
Já podemos alcançar!
Amigo que quer ser aceito, mais do que isto, quer ser sempre lembrado. Por isso naquela noite em que foi entregue celebrou com os discípulos a Páscoa e transformou-a na maior de todas as celebrações cristã, Páscoa também, mas agora lembrança contínua e constante do seu sacrifício, com o pão representando o seu corpo e o vinho representando o seu sangue e os amigos que o aceitaram, reunidos em todo o mundo, irmanados na mesma fé, lembram-se dele e celebram o sacramento que ele instituiu dizendo: Fazei isto em memória de mim!
Domício Pereira de Mattos
Texto: João 21:3 “Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar... e
disseram-lhe os outros discípulos: também nós vamos contigo”...
Culto “In Memoriam” do presbítero Silas Pinto da Gama, falecido
em 18.08.2005, vítima de atropelamento, enquanto esperava
condução. Cerimônia realizada no templo da Igreja Presbiteriana de
Ramos em 02.10,2005, a pedido dos filhos.
Pedro tinha deixado de ser pescador para ser discípulo de Jesus. Foram magníficas e indescritíveis as experiências na companhia do Mestre... Agora, angustiado, em depressão física e psicológica, volta a ser pescador. Transmite seu desânimo e sua frustração aos companheiros de discipulado, os quais foram também com ele pescadores. “Vou pescar" diz Pedro e “nós também vamos contigo", disseram os outros. Não havia Jesus transformado todos eles em “pescadores de homens"? Não lhes dera a importante tarefa de anunciá-lo ao mundo?... É que para eles, até aquele momento, tudo parecia ter terminado na tragédia do Gólgota, com a morte na cruz do Mestre querido... A voz de Pedro explodiu no peito de cada um, nas duas palavras, expressando a derrocada: “Vou pescar!” Era como se dissesse: Volto à minha antiga profissão, pois a vida não tem mais sentido para mim!...
Frase carregada de frustração, repetida diante do inesperado, funesto, danoso, irreparável, mortal... “A vida não tem mais sentido para mim!”"
Inúmeros acidentes, desastres, derrocadas financeiras, interrupção de relações amorosas, tempestades incontroláveis, diagnósticos de doenças incuráveis, perda de pessoas queridas, conduzem-nos, muitas vezes, a este estado de alma em que parece não haver mais esperança para o futuro e, então, dizemos “a vida perdeu o sentido para mim!..." Quantas vezes ouvi essa frase terrível, carregada de amargura, repassada de desesperança. Foi o rapaz ou a moça, sonhadores, porque a pessoa amada manifestou desprezo e rompeu a relação tão cheia de esperanças... Ou então aquele senhor ou senhora que viveram a intensidade do amor e inesperadamente a morte os separou... Ou, ainda, a decepção muito grande de alguém que confiou demasiadamente no amigo ou no projeto e, de repente, tudo caiu no vazio... Podem ser tantas coisas, todas elas levando a pessoa, no desespero, a dizer: “para mim a vida não tem mais sentido..." O que foi que aconteceu?
Tudo continua como antes, só que agora está faltando a presença, o convívio feliz com aquela pessoa querida, que fazia ascender a luminosidade para sentir a beleza da vida.
A luz se apagou: não pode mais ver a vida como antes. Falta a presença! Era o que dava sentido. A vida não tinha mais sentido para Pedro porque Jesus ausentou-se dela!...
Primeiro: É Jesus que dá sentido à vida! Suas palavras nos levam ao êxtase do bem-estar: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" (João 10:10). Apenas viver é vida vegetativa; viver em abundância é ter a plenitude da vida. Plenitude da vida é ser feliz. É como ter tudo de bom que se imagina: paz, alegria, realização de sonhos, bem-estar físico e mental, satisfação total. Que tremenda dificuldade e de viver abundantemente! Isto só é possível à vida que Jesus dá. Mesmo porque, nessa abundância de vida, oferecida por Jesus, existe a transmudação, isto é o novo sentido, de tal sorte que as coisas que antes nos agradavam e eram fúteis e passageiras são mudadas pela nova vida em Cristo, com todo o sentido que Ele dá: aconteça o que acontecer, em vez de dizermos “a vida não tem mais sentido para mim", passamos a dizer: “Encontrei um novo sentido na vida!" Onde Cristo está tudo muda e suas palavras em Apocalipse 21:5 se completam: “Eis que faço novas todas as coisas"!
Segundo: Jesus vem e se manifesta a nós. Que felicidade a de Pedro e dos seus companheiros de pescaria. A desilusão, a tristeza, a frustração, o desengano durou muito pouco: um dia, quem sabe uma noite, pois o Senhor Jesus não permitiu que fossem dominados pela depressão, veio ao encontro deles, manifestou-se, reconstituiu neles a vida e tornou-a abundante. “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância" Saíram dali, deixaram os barcos e as redes, agora definitivamente, para serem pescadores de homens... Que narrativa deliciosa, a do Evangelho: “Ao clarear a madrugada estava Jesus na praia..." (verso 4 de João 21). A presença de Jesus mudou tudo. Transformaram-se os corações.Saíram do luto de um Jesus que havia morrido para o Cristo da Ressurreição. Alentem-se os nossos corações, a madrugada há de clarear-se em nossas vidas e sairemos da tristeza e do abatimento para a plenitude da vida!
Terceiro: Jesus envia o seu Espírito para nos dar consolo. Não fiquem tristes, não tenham medo, mesmo que pareça estar ausente, Eu estou com vocês. Não os deixarei órfãos... darei a vocês o meu Espírito, o Consolador, para que esteja sempre com vocês (João 14:16-18).
É desta consolação que precisamos: certeza de que jamais seremos derrotados pelos acontecimentos que atingem as nossas vidas. Muitas vezes inexplicáveis, atingindo pessoas queridas, como aconteceu com o saudoso presbítero, Silas Pinto da Gama, arrebatado desta vida em circunstância tão dolorosa... Por que foi assim?... Falhou a providência divina?... Não era ele um servo de Deus, sempre firme na sua fé?... Não deveriam os que são servos do Senhor, discípulos de Jesus Cristo, estar sempre protegidos dessas situações?... NÃO! Jesus nos avisou: “No mundo tereis muitas aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo"! (João 16:33). Encontraremos, por ventura, alguém que tenha sido mais fiel a Jesus Cristo do que o Apóstolo Paulo? No entanto, morreu decapitado a mando de Nero, imperador romano! Não tenhamos essa presunção de que por sermos crentes nada de mal nos acontecerá. Pode acontecer! Estejamos certos, entretanto, de que naquele momento o Senhor estará ao nosso lado e nos dará a sua paz, o seu poder, para superarmos a situação e sairmos vitoriosos, como vitorioso saiu Silas do seu sofrimento para, como Paulo, receber a coroa de glória, reservada para os que amam a Deus. A vida jamais perderá o sentido para nós, porque nela nos encontramos com Jesus e a partir daí, Ele, Jesus Cristo, deu sentido à nossa vida! Glória, pois a Ele, para sempre! Amém!
Domício Pereira de Mattos
Mateus 27:22; ”Replicou-lhes Pilatos: Que farei, então,
de Jesus, chamado Cristo?”
Pregação feita nas celebrações litúrgicas da Semana Santa,
na Sexta-feira da Paixão.
Emile Faguet, celebrado escritor francês, falecido em 1916, crítico e autor de livros, entre eles “O Culto da Incompetência” e “Horror da Responsabilidade”, criticou a sociedade de seu tempo, afirmando ser sua característica o que estava posto nos títulos desses livros: incompetência e horror de responsabilidades... Parece não ter havido muita mudança no comportamento social, sendo ainda hoje aquelas as características da sociedade humana: muita incompetência e falta de responsabilidade. Ninguém quer saber de assumir seus atos, principalmente quando postos à prova como, por exemplo, perante uma Comissão de Inquérito. A corrupção campeia por todos os lados, mas ninguém assume, são todos”inocentes”, mesmo diante de provas concretas... É o horror da responsabilidade!
Pilatos, então, é um pecador comum, procedeu como a maioria dos que se escondem atrás de desculpas, falsas afirmações e mentiras deslavadas...O pobre governador da Judéia viu-se diante de Jesus, com a responsabilidade de julgá-lo, libertando-o ou condenando-o. Tratou de fugir da responsabilidade: primeiro, insistindo na inocência do acusado; em seguida, tentando transferir a responsabilidade para os ombros de Herodes; depois lembrando-se do costume de soltar um preso por ocasião da Páscoa, colocou perante os acusadores (sacerdotes judeus, escribas, fariseus e uma multidão incitada por estes) o mais temível preso, ladrão, homicida, arruaceiro, chamado Barrabás. Perguntou: “a quem quereis que vos solte, a Barrabás ou a Jesus, chamado o Cristo?” Surpreendeu-se com a resposta: “Solta-nos a Barrabás!” Insistiu ainda:” E que farei com Jesus?!” Exigiram a pena máxima:
“Seja crucificado!” Finalmente, pediu água e lavou as mãos, como se com isso ficasse isento de culpa na condenação do homem justo e bom, chamado Jesus de Nazaré...Não pode fugir da responsabilidade. Ninguém pode! O interessante é que Jesus já havia afirmado: "Quem não é por mim é contra mim! Não existe neutralidade no julgamento a respeito de Jesus. A pergunta tem que ser respondida: “Que farei de Jesus, chamado o Cristo?” Pilatos, na tentativa da neutralidade, começou a ouvir vozes, as quais soprando feriam a sua consciência. Que vozes eram essas?
Primeira, A voz do dever. Esta lhe mostrava a beleza daquela personalidade a ponto de fazer o governador da Judéia impressionar-se com a figura sublime de Jesus. Convencera-se da sua inocência e cada vez mais forte esta voz dizia à sua consciência: Você tem o dever de soltar Jesus!
Segunda, A voz do poder. Esta lhe dizia: “Você pode!” Tinha poder para decidir e chegou a declarar a Jesus: “Não sabes que tenho poder para te soltar ou para te condenar?” Resposta de Jesus: “Nenhum poder terias se de cima não te fosse dado.” (João 19:10 e11) Deus dá a todos esta capacidade para decidir – ou a favor ou contra. Em face de Jesus você não pode ser neutro, é preciso decidir: aceitá-lo ou rejeitá-lo. Ali estava Pilatos balanceado pela sua própria consciência: Eu posso! Eu devo soltar esse homem inocente!... Entretanto, Pilatos entregou Jesus para ser crucificado.Pior, antes de entregá-lo, para agradar os judeus, mandou que seus cruéis soldados o torturassem... Ficou marcado como símbolo da covardia e da pusilanimidade. O que teria acontecido com Pilatos? Deixou-se levar por outras vozes que também ecoaram e lhe falaram, provavelmente com mais força, abafando as vozes que tentavam iluminar a sua consciência. Que vozes foram essas?
Terceira, a voz do interesse. Pôncio Pilatos não queria comprometer-se. Buscava fazer-se amigo do povo e queria ser amigo de César. Para ser amigo de César tinha que agradar o povo sob o seu governo (tetrarca, representante do Império Romano). Os chefes religiosos exploraram este sentimento egoísta de Pilatos e fizeram-se hipocritamente amigos de César.
O governador, se soltasse Jesus estaria contra César...
Quarta, a voz das autoridades religiosas. Lá estavam instigando o povo, fazendo insinuações. Pilatos deixou-se levar... As autoridades e guias religiosos dos judeus (sacerdotes, escribas e fariseus) vinham de longe perseguindo Jesus, buscando apanhá-lo em palavras, gestos e atitudes, Colocaram espias ao seu encalço e exigiram relatório. Este foi o mais imparcial testemunho a favor de Jesus! “Homem nenhum jamais falou ou procedeu como este Jesus de Nazaré” (João 7:45-47). Diante de Pilatos essas autoridades acusavam Jesus de atitudes políticas contra César e amedrontaram-no... ”Se soltas a este não és amigo de César!...”
Quinta, a voz da multidão. Esta gritava: Solta-nos Barrabás e Jesus seja crucificado! É muito difícil postar-se contra multidões, especialmente quando conduzidas por autoridades políticas ou religiosas mal intencionadas... Pessoa inocente pode ser trucidada pelos gritos de multidão desvariada pedindo o linchamento. Foi exatamente o que aconteceu, abafando completamente em Pilatos a voz da consciência que lhe mostrava o poder e o dever de ficar ao lado de Jesus...
Sexta, a voz da mulher: “Não te envolvas com este justo, pois em sonho muito sofri a seu respeito”. Muita gente pensa que a mulher de Pilatos estava do lado de Jesus. A Igreja Ortodoxa chegou a canonizá-la... Não. Ela estava do lado de Pilatos. Pedia que ele não se envolvesse, isto é, ficasse neutro. Empurrou-o ainda mais para esta ingrata posição de neutralidade... Mas a pergunta estava posta: “Que farei de Jesus, chamado Cristo? xxxxxx Neutralidade impossível: ou o soltava, livre, ou o entregava para ser crucificado...
Sétima, a voz do medo. Esta voz levou-o a praticar o ato mais ingênuo e simplório: lavou as mãos! Um teólogo disse que foi esse gesto que sujou a biografia de Pilatos...Por lavar as mãos ficou sujo e entrou no Credo dos Apóstolos como o responsável pela crucificação e morte de Jesus: lá está escrito: “...padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos!
Pobre Pilatos, não pôde escapar da pergunta que ele mesmo fez: “Então que farei de Jesus, chamado o Cristo?” Diz a tradição que Pilatos acabou perdendo o poder. Deposto foi desterrado e no exílio foi acometido de doença a que se chamou “comido pelos bichos”. Comido, em vida, por vermes da morte. Nesse sofrimento terrível e final sua mente explodia com a pergunta: “Que farei eu de Jesus chamado Cristo?!” Era tarde demais, não podia fazer mais nada! Entregue para ser crucificado Jesus morreu na cruz a fim de salvar os pecadores... Amor infinito capaz de alcançar todos pobres e miseráveis pecadores como Pilatos que o entregou para ser crucificado ou como Judas que o traiu. Se eles, Pilatos e Judas, no fim da miserável existência, tiveram noção desse poder salvífico de Jesus, não sei... Uma coisa eu sei: se houve sincero arrependimento e fé em Jesus foram salvos porque de tal maneira amou Deus ao mundo que deu seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna – S.João 3:16.
Marcos 8:27
Homilia apresentada no domingo 23 de outubro de 2005, na Igreja Presbiteriana da Tijuca, Rio de Janeiro, no programa comemorativo dos 90 anos do pregador.
Esta pergunta é dirigida às pessoas de todos os tempos e de todos os lugares do mundo. Para respondê-la não basta conhecimento teórico e erudito a respeito de Jesus. Não basta ler as Escrituras e debruçar sobre os livros de teologia. A resposta legítima Deus concede às pessoas, quando elas seguem Jesus, assumindo suas palavras e ações. É dessa confissão que nasce a verdadeira comunidade – a Igreja. Foi assim que há alguns anos atrás, algumas pessoas se reuniram e formaram esta comunidade, a Igreja Presbiteriana da Tijuca... Uma associação de famílias? Um clube recreativo? Um partido com programa de salvação nacional? Não! Nasceu e existe até hoje e existirá sempre, enquanto o mundo for mundo, para proclamar: Jesus é o Cristo, o Filho de Deus! Jesus é o Senhor! E aqui continuará a comunidade respondendo sempre à pergunta de Jesus: “Vocês, meus discípulos, quem vocês dizem que eu sou?... E a cada domingo, e a cada encontro de fé, estarão aqui, respondendo, como Pedro respondeu, em nome dos apóstolos: “Tu és o Cristo o Filho de Deus!”
Primeiro: Não basta proclama-lo, é preciso vivê-lo.
Que significa viver o Cristo? Lembro-me que há 65 anos, quando no Seminário de Campinas, formava a minha turma de 16 bacharéis em teologia, escolhemos como lema, posto no quadro de formatura e nos convites que fizemos, a frase do apóstolo Paulo “para mim o viver é Cristo” e, talvez, para mostrar conhecimento do original do N.T. escrevemos em grego “emoi gar to zen Cristos”...(para mim o viver é Cristo). Mal podíamos rerceber o significado do entrar para o ministério cristão com essa declaração. Declaração como essa nos primórdios do Cristianismo , em Roma, poderia levar à morte, como de fato levou muitos cristãos. Eles, entretanto, tinham plena consciência do que isso significava e reafirmavam a fé, dizendo: “É melhor morrer em solidariedade a Cristo do que viver separado d’Ele!” Jesus enviou seus discípulos para anunciar o Reino e desejou que fossem firmes, engajados nesse serviço, com plena fidelidade. Viver Cristo é ser fiel. Vejo em carros. Nos vidros traseiros, a frase Deus é fiel. Isso não necessita de proclamação; é declarar o óbvio. O certo seria dizer: “Eu sou fiel a Deus!” Nunca vi, em lugar nenhum!
Isto, entretanto é o mais importante, na nossa vida cristã e comunitária:”Eu não apenas tenho Jesus como meu Salvador, mas eu vivo sempre fiel a Ele!”
Segundo: Viver Cristo é amar o irmão.
É uma exigência d’Ele, Jesus, que nós não levamos a sério: “que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei” (João 13:34) A verdadeira comunidade que nasceu porque soube responder: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus!” aprendeu também que só é possível amar a Deus quando se ama o próximo. ALIÁS, este é o texto do Calendário Litúrgico, deste domingo: “Amarás o Senhor teu Deus de toda alma, de todo coração e de todo o entendimento (..,) e amarás o próximo como a ti mesmo – nisto se resume toda a Lei’ E para que esta Lei se tornasse válida, Jesus orou (na prece sacerdotal) “Ó Pai que eles sejam um, assim como tu és em mim e eu em ti, sejam eles um para que o mundo creia”. Os cristão não aprenderam ainda a lição da unidade... Unidade no amor, unidade no serviço, unidade no testemunho!
Terceiro: Viver Cristo hoje é diferente do vivê-lo nos primórdios, a que já nos referimos. Hoje, ser cristão, confessar o nome de Jesus é coisa simples e fácil. O nome de Jesus está em todo lugar (em camisas esportivas, em letreiros nos automóveis, em suvenirs) O inimigo não usa mais o martírio contra cristãos. Não os trucida, não os leva àsfogueiras, não os atira às feras e aos gladiadores do Coliseu, O tentador mudou de tática: nada de mortes, sofrimentos, ameaças externas. O que ele deseja hoje é destruir o Reino por dentro, no íntimo dos corações e na mente dos cristão, nos seus ideais sagrados. Coloca ali o desânimo, a acomodação, a desesperança, as frustrações, o sonho com riquezas fáceis e desonestas... Muitos sucumbem, perdem a fidelidade, e o viver em Cristo. Esta é a mensagem deste domingo, o 3o. do tempo comum, com o seu veemente apelo ao AMOR a Deus e ao próximo e as palavras de Jesus a uma da igreja do Apocalipse, que pode bem ser representada pela nossa comunidade: “Sê fiel até a morte e eu te darei a coroa da vida!”
Lucas 8:1b a 3: "Os doze iam com Jesus e também algumas mulheres (...) Maria Madalena, Joana, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens." Mensagem no "Dia das Mães", ressaltando o papel da mulher na cristianização do mundo. O preconceito contra a mulher ainda existe ainda hoje na maioria das Igrejas.
No Dia das Mães, 2° domingo de maio, presta-se significativa homenagem à mulher, por cumprir ela a sua mais gloriosa missão - a maternidade. É verdade que não se pode usar a palavra, mãe sem o verbo amar, o que justifica esta homenagem. Entretanto, numa Igreja, onde a mulher é excluída da inteira participação em seus ofícios é uma hipocrisia as comemorações prestadas nesse dia, só porque ela é mãe... E as mulheres que não tiveram em seus braços filhos que, por razões que não vem ao caso, não foram gerados, ficam esquecidas, humilhadas, relegadas ao desprezo? Não seria muito melhor que não houvesse o "Dia das Mães", mas que a mulher fosse posta, como Jesus a colocou, ao lado dos doze? Diz o texto: "Os doze iam com Jesus andando de cidade em cidade e de aldeia em aldeia anunciando o evangelho do Reino de Deus e com eles algumas mulheres prestando serviços..."
Primeiro: Amor é a peça fundamental do viver cristão. Maternidade é uma das maiores glórias da mulher. É também a experiência mais profunda do amor humano. Foi por amor que mulheres seguiram a Jesus e seguiram-no apaixonadamente. Em várias situações do ministério salvífico e messiânico de Jesus, elas se destacaram: 1. Seu primeiro apóstolo (enviado) em Samaria, foi a mulher samaritana. 2. Muitas acompanharam Jesus em suas viagens, juntamente com os apóstolos (vs.1 a 3). 3. As mulheres o acompanharam até o Calvário, onde padeceu na cruz, quando muitos homens o abandonaram (Mateus 27:55-53). 4. A primeira testemunha da Ressurreição foi Maria Madalena e testemunharam com ela outras mulheres. 5. Esse amor incendiou a vida de uma mulher, que o fez nascer e jamais o abandonou e, na morte, esteve ao seu lado: - Maria! É pena que a maior comunidade cristã de fé - A Igreja Católica - coloca Maria no lugar em que ela jamais desejou estar, por ser o lugar de seu Filho: redentora, intercessora dos pecadores... Ela mesma proclama-o o seu Redentor, seu Deus e Salvador (Lucas 1:46 e 49). As mulheres que de fato amam o Senhor Jesus levam seus filhos a conhecê-lo e seguí-lo... Essa é a minha experiência pessoal: Meu pai era intrépido pregador do Evangelho. Escrevi um livro de memória de seus testemunhos evangelísticos a que chamei "O Último Passageiro da Balsa".
Entretanto, quem me colocou nos braços de Jesus foi minha mãe!... Será por isso que sou defensor da participação da mulher em todos os ofícios da Igreja?... Talvez sim, mas, de fato, quem deu à mulher esse privilégio e permitiu que o acompanhasse, com os doze apóstolos, foi o Senhor Jesus!
Segundo: Maternidade é figura de entrega generosa, por amor. Dádiva de si mesma, dom de si mesma aos outros. Protótipo do amor dadivoso de Deus, que "de tal maneira amou o mundo que deu seu Filho unigênito, para que todo que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna!" Amor é dádiva. Só é perfeito o amor de Deus. O amor materno pode ser possessivo: muitas mães têm ciúme do filho e brigam com as noras... Daí o preconceito com sogras... O amor de Deus é dádiva completa, a salvação que oferece é pessoal e eterna, só está na dependência de sua aceitação.
Terceiro: A Igreja deve ter a dimensão da feminilidade. Aliás, é com essa dimensão que a Bíblia nos apresenta e define a Igreja: esposa e mãe! Mãe e Mestra (Mater et Magister). Não como instituição rígida, jurídica, dominadora, apresentando-se, muitas vezes, mais pronta a excluir, afastar da comunhão, excomungar, anatematizar do que buscar e agasalhar os que estão precisando de amparo, muitos filhos pródigos que a procuram. A ação da Igreja é de serviço e amor em benefício de toda a sociedade. Atitude bondosa de entrega desinteressada,. Seus traços devem ser femininos e maternais. Sem essa dimensão a Igreja, como mulher, perde o traço mais rico de sua essência e trai a razão de sua existência.
Vocês mulheres, especialmente vocês mães, recebam a homenagem deste dia, mas saibam que maior é a responsabilidade de vocês diante de Deus! Lutem por suas posições eclesiásticas; não se acomodem em ser simples "auxiliadoras", sem direito à voz e ao voto nos concílios ou Conselhos Administrativos de suas comunidades... E que sejam vocês a dar os traços de feminilidade, tão carentes nas várias organizações eclesiásticas, especialmente no Brasil e na América Latina. Que sejam vocês as reformadoras da Igreja do amanhã! Assim Deus as ajude!
Domício Pereira de Mattos