1. Os Anseios da Alma

1. Os Anseios da Alma

Enviado por Rodrigo Borges em ter, 29/04/2008 - 12:41 tags:

Texto: João 7:37 “No grande dia da festa dos Tabernáculos
levantou-se Jesus e disse: Se alguém tem sede venha a mim e beba!”

Os Evangelhos registram encontros de Jesus com multidões e o seu sentimento amorável, compadecendo-se delas, porque as via como ovelhas sem pastor, oprimidas por ansiedades não satisfeitas, buscando, aflitas, lenitivo para suas aspirações. O texto em destaque registra um desses momentos: era a festa judaica dos Tabernáculos, em Jerusalém. A multidão ocupando os espaços do Templo e muitos juntos à porta, O ritual podia até ser pomposo, solene, magnificente, mas não respondia as aspirações daquelas ovelhas, as quais, aos olhos de Jesus, eram como se não tivessem pastor... De repente levantou-se o Mestre e disse em alta voz: “Se alguém tem sede venha a mim e beba!” É evidente que Jesus não se referia à sede física, de água potável, pois esta não faltava na cidade. Desde os tempos de Ezequias Jerusalém estava razoavelmente abastecida dessa água. Jesus referia-se à mesma água da qual falara, junto ao poço de Jacó, à mulher samaritana: “quem beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede...” Jesus corajosamente, em plena celebração judaica, em que o povo buscava respostas para suas ansiedades, se propunha a satisfazê-lo de maneira completa e cabal: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba!”. Dissemos corajosamente porque essa expressão não ficaria bem nos lábios de qualquer criatura humana: sejam guias religiosos, sábios e doutores, filósofos, ou cientistas. Imaginem que se levantassem Sócrates (filósofo), Darwin (cientista), Shakespeare (escritor), Napoleão Bonaparte (político e guerreiro) ou Lutero (guia religioso) e dissessem “Venham a mim e bebam” – que ridícula não se tornaria a expressão!?... Ela só fica bem e magnificamente posta nos lábios de Jesus Cristo: “Se alguém tem sede venha a mim e beba!” Jesus estava se referindo às aspirações humanas aos anseios da alma, de tudo aquilo que nos falta, embora estejamos ansiosamente buscando... Quais são os maiores anseios do coração humano, os seus mais ardentes desejos?

Primeiro: o de felicidade. Não há quem não aspire a felicidade! Diríamos mesmo ser esta a mais constante aspiração humana: Ser feliz! Quem o é?...Dois escritores e poetas brasileiros navegaram nesse tema, ambos procurando dizer que a felicidade não existe: o primeiro, Machado de Assis, tem um soneto no qual diz sermos como o vagalume, o qual vendo a luz de uma estrela disse: “Ah! Se eu pudesse ser estrela?!” e transformou-se na estrela. Aí extasiou-se diante da luz fascinante do sol e pediu aos deuses que se tornasse o sol. Transformou-se... E como sol, cansou-se do seu fulgor e entendiado do seu brilho, viu a luz tênue do vagalume e aspirou ser como o vaagalume. Atendido nessa aspiração, tornou-se, descansando na luz tosca do pequenino inseto... O segundo poeta é Vicente de Carvalho que, inspirado compôs o célebre soneto, VELHO TEMA:

Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada;
Nem é mais a existência, resumida
Que uma esperança malograda
O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz sempre adiada
E que não chega nunca em toda a vida.
Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos
Existe sim, mas não a alcançamos
Porque está sempre onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos...

É assim mesmo: o imperador romano Julio César conquistou todos os povos conhecidos no seu tempo e, diz a história, chorou em frente sua cabana de guerra porque não havia mais terras para conquistar. Jamais a felicidade estaria onde ele estivesse. Afinal, existe ou não a felicidade? Seria bom perguntar primeiro o que é felicidade? É paz, alegria de viver, segurança no futuro, certeza da vida eterna, ardume de coração, como disseram os dois discípulos de Emaús. Quem pode oferecer sonhos tão radiosos? Não tenho dúvida em afirmar: Só Jesus! E Ele o faz e demonstra em palavras límpidas e gostosas: “A minha paz vos dou, não a dou como o mundo dá...não se turbe os vossos corações!” Vocês crêem em Deus, creiam também em mim, pois o que crê em mim, do seu interior fluirão rios de águas vivas, isto é, não terão mais sede e se tornarão fonte de felicidade para outros. Felicidade é possível sim, com Jesus Cristo dominando nossa vida.

Segundo Anseio, entre os grandes de nossa vida: O Anseio de Verdade. Ninguém gosta de viver enganado; nós preferimos a verdade amarga à mentira adocicada...E quanto a nossa vida religiosa, perguntamos: onde está a verdade? Qual é a religião verdadeira? Pululam por aí religiões, credos, filosofias, todos afirmando ser a verdade. Mesmo sem sair do cristianismo perguntamos onde está a verdade ou qual é a corrente verdadeira: o catolicismo, o ortodoxismo, o protestantismo? Dentro deste quem está com a verdade?

Os presbiterianos, os luteranos, os batistas, os metodistas, os pentecostais,os conservadores. os progressistas? Como saber onde está a verdade religiosa? A nossa resposta: A Verdade não está em nenhuma religião. A Verdade está em Jesus: Ele mesmo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim!” João 14:6. Não existe prática religiosa que leve à salvação senão aquela indicada por Paulo e Silas ao angustiado carcereiro de Felipos: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu a tua casa” (Atos 16:31). Jesus lamenta as divisões em seu corpo, que é a Igreja –uma só Igreja- e suplica na Oração Sacerdotal pela unidade espiritual de sua Igreja: ”Ó Pai, que eles sejam um como tu és em mim e eu em ti, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:21). Não existe uma religião verdadeira, existe sim uma só Verdade: Cristo Jesus! Nossos Senhor, Redentor, e Salvador! O problema religioso não se define por adotar um credo, aderir a uma seita, ou rezar num catecismo e sim em aceitar uma pessoa, a Pessoa de Jesus Cristo. Nele encontraremos plena satisfação ao anseio de nossa alma que é possuir a verdade. Esta aspiração será satisfeita experimentando a Água da Vida: “quem tem sede venha a mim e beba!”

Terceiro: Supremo Anseio de nosso coração é VIDA. Morte para nós é anomalia. Não nos acostumamos e nem nos conformamos com ela. Diante do túmulo de uma pessoa querida nossa alma, ainda que silenciosamente, protesta. Na mais precária situação de saúde, se auscultarmos os anseios do moribundo, podemos perceber sua ansiedade por viver. Quem pode satisfazer essa sede intensa de vida? Só Jesus! Ele diz: “Eu sou a Ressurreição e a Vida, quem crê em mim ainda que esteja morto viverá e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá!” (João 11:25). E quando sentimos que a vida já foi longa, passamos dos limites bíblicos de 70, e dos 80 anos para os mais robustos, vamos chegando aos 90 e a morte física se aproxima com a visível certeza, então entendemos as magistrais palavras de Jesus: “quem crê em mim nunca morrerá!” Consta que o teólogo suíço, Karl Barth, visitado por um grupo de amigos que ouviram notícia falsa de sua morte, disse-lhes orientando-os espiritualmente: “Quando vocês lerem no jornal, Karl Barth morreu, saibam que, nesse dia, estarei mais vivo do que nunca!” Eis aí um coração, como muitos, inclusive o meu, plenamente satisfeito nos anseios pela vida, porque experimentou a água que Jesus lhe ofereceu: Se alguém tem sede, venha a mim e beba! Se você, meu irmão, ainda se estremece com medo da morte, corra depressa para os braços de Jesus e beba da Água da Vida!

Finalmente, podemos nos referir ainda a um outro anseio da alma humana: o anseio de Deus. Bem poderia estar incluído no anseio de verdade, visto que a Verdade absoluta é Deus. É tão evidente esta aspiração que ela está posta até na palavra ATEU (aquele que não crê em Deus). Essa palavra procede do paradigma “A”, que no grego significa negação à palavra THEOS, cuja tradução é “Deus”, significando “não deus”, isso é presumir a existência de Deus para depois negà-la... Para mim não existe ateu, o que existe são pessoas que não aceitam ou deixaram de aceitar o conceito de Deus que lhe deram ou lhe puseram na mente... E existem conceitos de Deus tão absurdos que levam pessoas inteligentes a dizerem “Se Deus é isso, eu não creio nele – sou ateu!” O anseio de Deus, entretanto, não deixa de ser realidade, como está no Salmo 41:1 e 2: “Como suspira a corsa pelas correntes das águas assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo.” Jesus satisfaz essa sede de Deus. Nele podemos sentir a realidade do Deus eterno, Criador nosso e do universo. Quando um discípulo, nessa ansiedade de conhecer a Deus lhe disse: “Mostra-nos o Pai e isso nos basta. Disse Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco e não me tendes conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai: como dizes tu: mostra-nos o Pai?” (João 4:8 e 9)

Por que, meus irmãos e amigos, continuar com sede? Anseio de felicidade, busca da verdade, aspiração pela vida e suspiros por Deus? Jesus está nos oferecendo a Água da Vida, que é Ele mesmo, a fim de suprir a nossa sede: “Se alguém tem sede venha a mim e beba!” Venham, pois, à Fonte da Água da vida!

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