Por que do nome
Rodrigo Borges em qua, 23/04/2008 - 03:23 Jornalista: Por que “Congregação da Praia de Botafogo”?
Igreja: Simplesmente porque o grupo passou a reunir-se na Praia de Botafogo, 430, onde o Dr. Luiz George de Oliveira Bello acabava de construir o Edifício que tem ligação com seu nome, o Saint George, e em sua sobreloja instalaria a Rádio Copacabana. Dr. Bello cedeu ao grupo as instalações e aí foram iniciadas minhas atividades. Elas frutificaram e o Presbitério Rio-Norte me organizou, como Igreja Presbiteriana da Praia de Botafogo, no dia 31 de Janeiro de 1965, o mesmo dia de aniversário do pastor.
Jornalista: Se o local era destinado à Rádio Copacabana, como nele você se instalou?
Igreja: O Dr. Bello desistiu de transferir a Rádio Copacabana para o seu edifício e ofereceu toda a instalação, que ocupava as unidades 201, 202 e 203 – todo o segundo andar (sobreloja) do 1º bloco do edifício. O preço muito acima da minha possibilidade. Arrisquei uma oferta 20% do valor total e cinco anos de prazo para pagar os outros 80%. Por incrível que pareça, ele aceitou!
Jornalista: E você, a Igreja a organizar-se, tinha possibilidades de cumprir a proposta?
Igreja: Não! Esta é a estória de fé e dedicação ao Senhor e eu me senti honrada. O pastor e o então presbítero José Carlos Lobo resolveram vender seus automóveis e apelaram aos demais que fizessem contribuições de outra sorte e levantaram os 20%. Todos assumiram contribuições mensais para cobrirem as 60 prestações dos outros 80%... E nos primeiros cinco anos de vida, como igreja, consegui este respeitoso patrimônio.
Jornalista: Se eram três unidades do edifício, por que, agora, você só ocupa duas?
Igreja: As taxas condominiais de três unidades eram muito altas, representavam mais de mil reais mensais (na moeda de hoje) e isso onerava sobremaneira a comunidade. Houve, entretanto, precipitação na venda da unidade 203. Precipitação e falta de fé, do que me penitencio. Deveria apenas ter alugado e usar os aluguéis para pagamento das taxas de condomínio das três unidades... Nosso patrimônio seria maior hoje.
Jornalista: Estou gostando da história. Quero saber mais. Por exemplo: se você estava colocada ma zona Sul e foi o Presbitério Rio-Norte que a organizou, isso não causou problemas?
Igreja: Causou! Tive problemas de ordem eclesiástica: Três grandes líderes do Presbitério Rio de Janeiro, homens respeitáveis e de grande influência, não só no Rio de Janeiro, mas em toda a IPB (os revs. Benjamin Moraes, Amantino Vassão e Stélio Severino da Silva, pastores de Copacabana, Catedral Presbiteriana e de Botafogo) manifestaram-se contra a minha organização. Dois deles foram presidentes de Supremo Concílio da IPB e demoraram a me aceitar como igreja, exatamente na área de atuação deles. Tive, entretanto, pleno apoio de outros pastores e de outros presbitérios, a ponto de ser o pastor da Praia de Botafogo conduzido à presidência do Sínodo da Guanabara por dois períodos de dois anos.
Jornalista: Poderia citar alguns nomes de apoio à sua organização?
Igreja: Vou citar dois nomes ilustres de pastores não ligados aos concílios do Rio de Janeiro e que me foram não apenas estimulantes, mas inspirativos. O primeiro nome é o do rev. Miguel Rizzo Júnior, criador do Instituto de Cultura Religiosa. Vinha de São Paulo para fazer conferências. Fez de mim o centro de suas atividades no Rio de Janeiro. Muita gente vinha à Praia de Botafogo para ouvi-lo. Outro nome de irrestrito apoio à minha formação foi o rev. Haroldo Cook. Já aos 85 anos, aceitou minhas dependências como sua residência e eu o tratei com muito carinho. Fiz dele meu pastor honorário e só saiu daqui aos 99 anos para uma casa de repouso, mantida pela comunidade britânica, onde veio a falecer, aos 101 anos. Suas memórias estão em um livro (“Os 101 anos de Haroldo Cook”), que tenho em estoque, cerca de 100 exemplares, para oferecer graciosamente aos que, lendo esta entrevista o desejarem. É só pedir, quando me visitarem, ou me escreverem se morarem fora do Rio de Janeiro. Quanto aos problemas, ouço as palavras de Jesus: “... conheço as tuas obras, eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar; sei que tens pouca força, entretanto guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Apocalipse 3:8 e 11).
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