Texto

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Mudar

Enviado por Paula Barbosa em qua, 29/07/2009 - 10:59 tags:

Retornar nem sempre é o pior. Voltar atrás, querer um recomeço, uma nova versão do que já foi.
Saber perdoar nem sempre é ser humilhado. Entender o outro pode ser o alcance de uma dimensão maior do que qualquer outra.
Olhar a vida com outros olhos nem sempre é ser maleável demais. Sempre há uma visão diferente, uma nova idéia das outras idéias, uma vez que o presente será passado daqui a dois segundos.

Um breve pensamento

Enviado por Paula Barbosa em qua, 15/07/2009 - 10:36 tags:

Resta saber se sentimos amor, se somos irmãos, se as diferenças não são capazes de fortalecer a desunião, se o sorriso é sincero, se a mão acolhe.
Resta entender se o ombro vai atenuar a dor, se a caminhada pode ser conjunta, se o “nós” jamais será “eu”, se o coletivo será pleno.
Enquanto isso, em passos lentos – mas firmes – segue nossa fé. Fé na vida, no acolhimento, no ensaio do amanhã, na vivência de família, no abraço solto, no sorriso rasgado de emoção, na correria das crianças, na lágrima da esperança e no festejar do hoje.

Paz

Enviado por Paula Barbosa em seg, 27/04/2009 - 10:36 tags:

Se pudesse, agora, correria pelo céu e gritaria à Terra a liberdade que sinto.
Se pudesse, agora, choraria, porque a lágrima lava o mal, e varre a impunidade.
Se pudesse, agora, abraçaria toda a gente que vejo, roubaria anseios, mágoas e tristezas e jogaria no fundo, bem no fundo do mundo.
Se pudesse, desenharia nossos corações unidos, pela força da simplicidade, e daria de presente aos velhinhos do Abrigo Cristo Redentor, e de tantos outros que estão sozinhos, abandonados e sem esperança.
Se pudesse, diria a toda a nossa comunidade de fé (daqui e de todo o mundo) que amo cada um, e que a força do bem faz-nos felizes, e que nada pode tirar-nos essa paz.

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA - Miguezim de Princesa

Enviado por Paula Barbosa em ter, 17/03/2009 - 08:57 tags:

I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,

Espera

Enviado por Paula Barbosa em seg, 16/02/2009 - 09:25 tags:

Jamais encontrei explicação para o sofrimento causado pela dor invisível, aquela que ninguém vê ou sabe. Essa dor ínfima corrói, traça uma linha tênue entre o coração e os olhos, e faz-nos chorar. Dores assim esticam um traço e conseguem sair de nossos corpos, fazendo com que toda a nossa vida externa seja influenciada. Essas dores nunca matam – o que é pior - mas nosso “eu” vai morrendo, sofrendo aos pouquinhos, sentindo pena de si mesmo.

Fugacidade

Enviado por Paula Barbosa em ter, 02/12/2008 - 13:44 tags:

Há sempre uma infinita vontade de fazer com que o “hoje” seja “sempre”. É que eu imagino um luar, mas o sol nasce; imagino o entardecer, mas a lua vem. O momento atravessa meu dia como flecha, e eu fico sem saber onde foi se esconder aquela piscadela que recebi do meu pai, ou a mão que minha mãe passou em meu ombro, ou o sorriso de minha amiga de infância, ou o que eu escrevi na areia quando me apaixonei.
Acho que o ontem, de anos atrás, já passou faz tempo, mas nem notei.

São apenas crianças

Enviado por Paula Barbosa em seg, 29/09/2008 - 09:42 tags:

“Eu amo crianças” Esta foi a frase do personagem de Ed Harris ao ser morto no filme Gone Baby Gone, quando confundido com o raptor de uma criança.

O Bicho - Manuel Bandeira

Enviado por Paula Barbosa em qui, 28/08/2008 - 11:07 tags:

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

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Enviado por Rodrigo Borges em seg, 18/08/2008 - 17:05 tags:

Esperança

Enviado por Paula Barbosa em sex, 15/08/2008 - 13:52 tags:

Pai, esperar tua luz
É como alcançar tua mão,
Andar descalço na terra,
Cantar uma canção.

Esperar tua luz
É como o vento de manhã,
Suavidade sem notícia,
Doação imerecida.

Esperar tua luz
É como uma ave colorida,
Flor que brota vida,
Alimento à alma ferida.

Esperar tua luz
Faz-me tão mais belo,
Sentimento tão singelo,
Razão de todo o ser.

Esperar tua luz
É como nascer todos os dias,
Crer no fim da agonia,
Ver um sorriso de pura alegria.

É como um leve entardecer,
É ver todas as gentes unidas,
É ver muita criança correndo,
É ver tudo renascendo.

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