O MEU JESUS CRISTO
“...se cada uma das coisas que Jesus fez fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que escrevessem”
– João 21:25-
Plenamente comprovada a profecia do apóstolo João. Nunca, jamais alguém moveu escritores a escreverem sobre si mais do que Jesus de Nazaré.
Não importam os desencontros, as contradições, os choques de opiniões. Nem ainda as polêmicas entre os que o adoram, os que apenas o admiram, os que negam sua historicidade e até os que o detestam... Errado mesmo é tornar-se alguém dono da personalidade de Jesus e estabelecer dogmas a seu respeito e menosprezar, perseguir, torturar e matar os que não rezarem pela sua cartilha.
Esse trágico erro da igreja institucionalizada, a qual incentivou as inimagináveis controvérsias cristológicas dos primeiros séculos, alimentou distúrbios, elaborou dogmas, estigmatizou pessoas e acabou por quebrar sua própria unidade com o aparecimento de seitas, correntes doutrinárias, seguimentos eclesiásticos de todas as espécies, cada qual “dono” do seu Cristo e excomungando os que têm um Cristo diferente...
Jesus Cristo não cabe dentro dos conceitos formulados a seu respeito; não se restringe aos dogmas dos concílios eclesiásticos; não se limita às elaborações teológicas, por mais ilustres, cultos e honestos sejam os teólogos; e não pode ser contido pelo raciocínio, ainda que lógico, da razão humana. Por mais que se esforcem para comprimí-lo dentro de conceitos, do dogma da Igreja, da formulação teológica ou do raciocínio humano, ele extrapola, salta para fora, assim como boneco da caixa de segredo, comprimido para dentro até que alguém retire a tampa...
Ele, o Cristo, é muito mais do que tudo o que foi dito nestes últimos dois mil anos e a tudo o que se continuar a dizer a respeito dele nos séculos futuros.
E é relevante o seu desejo de ser assim considerado: quer que continuemos a pensar nele, livre e descomprometidamente. São suas as perguntas, a primeira genérica e a segunda mais diretamente aos que o seguiam de perto, os apóstolos:
_O que é que os homens pensam a meu respeito?
_E vocês, quem é que vocês dizem que eu sou?
_Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mat. 16: 13 a 16)
A resposta é do apóstolo Pedro, embora afirme o texto, “não foi carne nem sangue quem te revelou, mas meu Pai que está nos céus”(vs. 16)
Tal resposta, entretanto, não é o ponto final da discussão cristológica, muito pelo contrário é o ponto de partida e o elemento complicador do raciocínio humano.
Se ele fosse apenas o “homem de Nazaré”, o Jesus, filho de José, o carpinteiro, e de Maria, seria muito mais simples. Far-se-ia uma pesquisa histórica, chegar-se-ia às suas origens, elaborar-se-ia um apanhado de suas idéias e compor-se-ia a sua biografia.
Muitos tentaram fazê-lo e se perderam.
Não obstante as inúmeras e incontáveis “Vidas de Jesus”, não existe uma só biografia dele. E tem-se como matéria de fato que ninguém jamais poderá fazer tal biografia. Os que tentaram acabaram por fazer sua própria biografia e não a de Jesus...
Jesus não é apenas o “homem de Nazaré”, é também o “Cristo, o Filho de Deus”.
Ele é homem, verdadeiramente homem, homem de carne e osso, como somos nós, e é, ao mesmo tempo, o receptáculo de Deus. O Deus que se pôs nele em toda a plenitude, transformou-o no Cristo.
Temos numa só pessoa, um homem, verdadeiramente homem e um Deus, verdadeiramente Deus: o Teantropos – Deus-homem.
Quem pode explicar isso?
Tenho consciência de tal dificuldade. Isso, entretanto, não me inibe do esforço que pretendo fazer para dizer o que penso de Jesus Cristo.
Não tenho nenhuma presunção de ter alcançado a verdade e de ser dono dela.
Só ele, Jesus Cristo, é a verdade e se faz verdade porque Deus está nele e só Deus é a verdade absoluta.
Entre milhões que tem respondido à pergunta de Jesus, senti o desejo de pôr em letras de forma a minha resposta humilde, mas repassada de fé e de sinceridade. Este é o meu objetivo: dizer o que penso de Jesus..
Rev. Domício Pereira de Mattos
(“O Meu Jesus Cristo”, Janeiro de 1993)
- 512 leituras

Belíssimas Palavras!
de quem somos...